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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Doença de Aujeszky
 
 
  Doença de Aujeszky  
     
  Elenice Maria S. Cunha - cunha@biologico.sp.gov.br
Eliana M. C. Villalobos - villalobos@biologico.sp.gov.br
Maria do Carmo C. S. H. Lara - lara@biologico.sp.gov.br
Centro de P&D de Sanidade Animal
 
 
Número 144 18/11/2010

 
     
 

A doença de Aujeszky (DA) ou pseudoraiva é uma infecção viral de grande importância econômica para a suinocultura moderna. O vírus da doença de Aujeszky (VDA) pertence à família Herpesviridae, subfamília Alphaherpesvirinae, gênero Varicellovirus. Outros membros desta subfamília infectam animais como o herpesvírus bovino e herpesvírus equino. A DA foi descrita em 1813 em bovinos dos Estados Unidos, espécie na qual produzia intenso prurido, sendo denominada então de “mad itch” ou peste de coçar. Por causar sintomas nervosos em cães e gatos a doença era confundida com a raiva. Em 1902 Aladar Aujeszky, na Hungria, demonstrou, por meio da infecção experimental em coelhos, não se tratar de raiva, e, a partir de então, a doença passou a ser denominada de pseudoraiva.

O VDA provoca na maioria dos mamíferos uma infecção caracterizada por elevada letalidade e um prurido intenso. O suíno, no entanto, é considerado hospedeiro natural e principal reservatório do vírus servindo como fonte natural de infecção para outras espécies como bovinos, caninos, felinos, ovinos, caprinos e leporinos, nos quais a doença é sempre fatal.

Em suínos, os sinais clínicos da doença estão relacionados à idade do animal. Em leitões pode ser letal em decorrência de lesões do sistema nervoso central. Caracteriza-se principalmente por sintomatologia respiratória em leitões desmamados e em animais de engorda e por sintomatologia reprodutiva em animais adultos. Em fêmeas gestantes, em propriedades cujos animais não são imunes, podem ocorrer abortos em qualquer período de gestação.

Além disso, o VDA pode agravar infecções bacterianas como as causadas por Actinobacillus pleuropneumoniae, Pasteurella multocida ou Streptococcus suis.

No Brasil, após a descrição inicial da doença de Aujeszky por Carini & Maciel em 1912, surtos esporádicos foram descritos em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Na década de 1980, a doença passou a ter mais destaque devido ao acometimento de criações intensivas de suínos em Santa Catarina e São Paulo.

Uma das principais características dos alfaherpesvírus é a habilidade de estabelecer, após fase aguda, infecção latente no hospedeiro, independente da imunidade do animal. O estado de latência é caracterizado pela presença do DNA viral em neurônios, sem qualquer expressão gênica, replicação viral ou sinais clínicos. Dessa forma, o vírus pode permanecer latente por longo tempo, provavelmente por toda a vida do animal, fora do alcance do sistema imunológico. No entanto, infecções latentes podem ser facilmente reativadas por situações de estresse tais como transporte, parto, confinamento, infecções parasitárias, outras doenças e também pela administração de corticosteroides. Após a reativação, o vírus migra aos sítios da infecção primária, se replica e é excretado ao meio ambiente. Uma vez infectados os animais tornam-se portadores e fontes potenciais de disseminação do vírus, o que se constitui no maior obstáculo para o estabelecimento de medidas de controle e erradicação.

As estratégias de controle da doença de Aujeszky são várias e dependem da situação epidemiológica em cada região. Em alguns países onde a doença é endêmica a opção foi adotar programas de erradicação baseados na eliminação gradual dos animais reagentes para anticorpos contra o VDA e a vacinação com uso de vacinas com marcadores antigênicos. A erradicação do VDA dos rebanhos por despovoamento, seguido de vazio sanitário, tem um custo elevado e deve der adotada em regiões com baixa prevalência da doença.

No Brasil, a utilização de vacina para controle da DA é controlada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que somente permite o uso de vacinas marcadas antigenicamente e que não contem a glicoproteína gE.

A doença está entre aquelas de notificação obrigatória e rebanhos positivos não podem comercializar animais para reprodução. É exigência do MAPA, conforme a Instrução Normativa nº 19 de 15 de fevereiro de 2002, que as granjas que desejem comercializar os suínos para reprodução sejam certificadas como GRSCs - granja de reprodutores de suídeos certificadas, as quais são livres para várias doenças, entre elas para a DA. No código zoosanitário da OIE (Organização Mundial de Sanidade Animal), a DA é considerada doença de caráter notificável e estabelece categoria de países/zonas de acordo com a situação: Livres e Infectadas (dentro destas zonas são admitidos Estabelecimentos Livres). A DA também impõe limitações ao comércio de animais vivos e ao material genético (sêmen, embriões), porém, não exclui o intercâmbio de carnes (carcaças, cortes, produtos industrializados).

Em 2001 teve início um programa de erradicação desta doença dos rebanhos suínos do Estado de Santa Catarina, coordenado pela Embrapa Suínos e Aves, que é atualmente considerado área livre da doença.

O MAPA aprovou em 2004, através de instrução normativa, o Programa Nacional de Sanidade Suídea (PNSS) que se aplica ao controle sanitário oficial a ser realizado nos estabelecimentos de criação de suídeos que desenvolvam atividades relacionadas à produção, reprodução, comercialização de suídeos e de material de multiplicação de origem suídea, bem como impedir a introdução de doenças exóticas e controlar ou erradicar aquelas já existentes no Brasil. Com relação à DA, conforme a Instrução Normativa nº 8 de 2007, a estratégia do Brasil é a regionalização, e a adesão dos estados da Federação ao programa é voluntária.

O Estado de São Paulo, no ano de 2006, aderiu ao programa por deliberação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA).

O Instituto Biológico realiza, rotineiramente, a sorologia de granjas credenciadas (GRSCs) do Estado de São Paulo, desde a década de 1980 e, como laboratório oficial, participa do programa de controle e erradicação da doença de Aujeszky em parceria com a Coordenadoria de Defesa do Estado. Em uma primeira etapa foi realizado um levantamento sorológico em granjas comerciais que utilizavam vacina como forma de controle da doença. As amostras de soro foram submetidas ao teste de ELISA diferencial para anticorpos antiglicoproteína E ou gE, que diferencia animais vacinados e infectados. Com estes resultados a conduta foi a da eliminação de animais reagentes com retestagem do plantel. Em uma próxima etapa está previsto um inquérito sorológico de todo o Estado e, dependendo dos resultados obtidos, serão traçadas as ações apropriadas para que o Estado de São Paulo atinja a condição de área livre da doença. Este “status” trará benefícios para a cadeia produtiva de carne suína, pois, além de uma melhor produtividade e uma redução no gasto com vacinas, o comércio de carne e derivados com países importadores será mais competitivo.

Referências

Cacci-Zanella, J.R., Amaral, A.L., Ventura, L.V., Mores, N., Bortoluzzi. Erradicação da doença de Aujeszky em Santa Catarina: importância da condição sanitária das leitoas de reposição. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, p.749-754, 2008.

Kotait, I., Peixoto, Z.M.P, Cunha, E.M.S., Queiroz, L.H., Souza, M.C.A.M., Bersano, J.G. Focos da Doença de Aujeszky no Estado de Sao Paulo no Período de 1982-1986. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v. 53, p.65-70, 1986.

Mapa. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: Link. Acesso em out. 2010.

Romero, C.H., Rowe, C.A., Flores, R.S., Brentano, L., Marques, J.L.L. Erradicaçao do Vírus da Doença de Aujeszky de Plantéis de Reprodutores Suínos através da Testagem e Eliminaçao de Suínos com Anticorpos. Pesquisa Veterinária Brasileira, Rio de Janeiro, v.6, p.1-4, 1996.

São Paulo (Estado). Secretaria da Agricultura e Abastecimento. Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – CATI. Diagnóstico da doença de Aujeszky no Estado de São Paulo. 1986. 76p. (Documento Técnico CATI 66).

 
 

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