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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Chitridium: um risco para nossas espécies de anfíbios
 
 
  Chitridium: um risco para nossas espécies de anfíbios  
     
  Marcio Hipolito - hipolito@biologico.sp.gov.br
Ana M.Cristina R.P.F. Martins
Márcia Helena B. Catroxo
Centro de P&D de Sanidade Animal - Instituto Biológico
Claudia Maris Ferreira Mostério - claudia@pesca.sp.gov.br
Instituto de Pesca
 
 
Número 146 15/12/2010

 
     
 

No passado, os fungos Chitridium foram considerados como sendo predominantemente saprófitas de vida livre, com poucas espécies capazes de infectarem apenas invertebrados e plantas vasculares. Uma nova espécie, Batrachochytrium dendrobatidis (Fungi, Chytridiomycota, Rhizophydiales), foi descoberta em 1999 e mostrou ser capaz de infectar anfíbios, causando uma doença muitas vezes fatal conhecida como chitridiomicose. Estudos posteriores mostraram ainda que o B. dendrobatidis foi associado com o declínio da população de anfíbios em todos continentes habitados por eles.

Entre os anfíbios, as rãs têm muito valor como espécies bioindicadoras de mudanças ambientais por interagirem em ambos nos habitats terrestre e aquático, apontando os girinos de rãs como excelentes indicadores da qualidade da água em virtude disto. Os anfíbios são, na verdade, considerados animais sentinela por serem alvo direto de poluição atmosférica e aquática, devido as suas características anatômicas e fisiológicas.

Suas diversidade e capacidade de adaptação lhes permitiram estabelecer habitats em quase todas as regiões do planeta e mais de 80% da diversidade de anfíbios ocorre em regiões tropicais cujas paisagens naturais estão sendo rapidamente destruídas pela ocupação humana.

Os fatores mais importantes para o declínio dos anfíbios é a perda da biodiversidade com a destruição de habitats, ou sua alteração, a introdução de espécies invasoras e exóticas e as alterações climáticas. Entretanto, também ocorre declínio de anfíbios em áreas protegidas e intactas, provavelmente por alterações climáticas, aumento da radiação UVB, contaminação química, deformações e malformações e, além de doenças infecciosas emergentes como as causadas pelo Ranavírus e o Chytridium. Esta última é causada por um fungo que está ligado à redução de centenas de espécies em todo o mundo, representando uma grande perda da biodiversidade.

A Chitridiomicose é uma micose dérmica, superficial, acometendo os anfíbios pós-metamorfose, desenvolvendo-se somente na camada externa queratinizada da epiderme, causada pelo fungo não hifal Batrachochytrium dendrobatidis, podendo ainda acometer as porções queratinizadas da boca de girinos. Acomete diferentes espécies de anfíbios em todo o mundo e está relacionada com a mortalidade em massa e declínio populacional de várias espécies e em vários países. Já está espalhado em todo o mundo e hoje é encontrado em 93 espécies em todos os continentes.

Atualmente é reconhecida como uma doença de grande importância no cenário mundial, constando da lista oficial de epizootias da Organização Mundial de Saúde Animal.

Em nosso meio, a doença já foi observada em espécies nativas livres e de coleções de museus zoológicos. Em rã-touro criada comercialmente, foi observada no Uruguai e, recentemente, também no Brasil.

Sua presença em espécies nativas é um risco em potencial para a espécie rã-touro, único anfíbio criado comercialmente no Brasil, devido à invasão das áreas de criação por esses anfíbios nativos, como também a presença em animais criados comercialmente que, podendo escapar, pode contaminar animais nativos.

Este fungo não é considerado uma zoonose.

Sua presença em rãs-touro criadas comercialmente e em anfíbios silvestres próximos aos ranários é objeto de estudo pelo Laboratório Interinstitucional de Sanidade em Aquicultura (LISA), parceria do Instituto Biológico e do Instituto de Pesca, juntamente com outras instituições de pesquisa. O LISA está se preparado para o diagnóstico deste fungo através de técnicas biomoleculares como PCR e hibridização in situ, além de histoquímica e microscopia eletrônica.

 
 
Alguns exemplares de anfíbios anuros nativos do Brasil, que podem estar ameaçados pela presença do vírus.
 
Girino de rã-touro (Lithobates catesbeianus, antiga Rana catesbeiana) apresentando a camada córnea bucal normal, com coloração negra. Foto: M. Hipolito.
 
Girino de rã-touro apresentando a camada córnea bucal despigmentada, indicativo da presença do fungo. Foto: M. Hipolito
 
Aspecto de uma rã australiana acometida pelo fungo. Fonte
 
Fotomicrografia de corte de boca de girino (rã-touro) - Brasil. Presença de vacúolos, hiperplasia e restos celulares, como lesões indicativas da presença do fungo. Coloração hematoxilina-eosina, aumento 160X. Foto: A.M.C.R.P.F. Martins.
 
Fotomicrografia de corte de dedos das rãs-touro - Brasil. Proliferação da camada basal e espinhosa e presença de células eosinofílicas na camada granular e áreas com hipertrofia e hiperqueratose. Foto: A.M.C.R.P.F. Martins.
 

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