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 Sábado, 29 de Abril de 2017
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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Mancha aureolada volta a preocupar cafeicultores
 
 
  Mancha aureolada volta a preocupar cafeicultores  
     
  Flávia R.A. Patricio - flavia@biologico.sp.gov.br
Irene M.G. Almeida
Luís O.S. Beriam
Centro Experimental do IB
Masako T. Braghini - mako@iac.sp.gov.br
Luiz C. Fazuoli
Instituto Agronômico
 
 
Número 148 03/01/2011

 
     
 

Com o início das chuvas, a mancha aureolada, uma importante doença do cafeeiro causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae, voltou a atacar severamente os cafezais, especialmente os situados em locais de elevada altitude, sujeitos à constante incidência de ventos. A doença foi constatada recentemente em lavouras de diversas regiões cafeeiras, principalmente do Estado de São Paulo, do Cerrado e do Sul de Minas Gerais.

As lavouras mais atacadas são aquelas em formação ou que sofreram alguma poda. A bactéria deve ter permanecido nos ramos e em algumas folhas do cafeeiro e, com o retorno das chuvas, voltou a causar os sintomas severos observados nas lavouras. É provável que os sintomas estejam relacionados com a redução da temperatura, especialmente à noite, e da elevação da umidade relativa, que favorecem a penetração da bactéria nas brotações mais jovens, mais suscetíveis (Fig. 1). A ocorrência da doença nas lavouras com carga pendente pode comprometer parte da produção comprometida, pois a bactéria pode penetrar nas inflorescências, afetando as rosetas (Fig. 2) e os frutos novos.

Sintomas

Os sintomas da doença são caracterizados por lesões foliares de coloração parda, que podem ou não ser acompanhadas por um halo amarelado (Fig. 3), seca de ramos e lesões nas rosetas, inflorescências e frutos novos, provocando, posteriormente, a desfolha dos ramos. No final do período das águas, a doença se restringe aos ramos, sendo esta uma estratégia de sobrevivência da bactéria. A mancha aureolada também incide sobre mudas em viveiros, causando lesões nas folhas e seca de hastes e ramos (Fig. 4). A doença é mais importante em lavouras novas, com até 3 a 4 anos de idade. Nos últimos anos, a doença tem ocorrido com gravidade, causando, inclusive, a morte de plantas com até um ano de idade.

A mancha aureolada, com certa frequencia, tem sido confundida com a mancha de phoma, causada por Phoma tarda, ou mesmo com distúrbios nutricionais ou climáticos. Este fato faz com que os danos sejam agravados, especialmente porque medidas adequadas de controle não são adotadas a tempo. Por esta razão, o diagnóstico correto da doença é fundamental para o seu controle.

Manejo da doença

O manejo da mancha aureolada se inicia pela utilização de mudas sadias. Os viveiros devem ser instalados em locais adequados e protegidos contra ventos frios. A irrigação do viveiro deve ser monitorada, evitando-se vazamentos nos aspersores. Mudas com sintomas devem se isoladas das demais, para que a doença não se propague para as plântulas sadias. Caso a doença seja detectada no viveiro, todas as mudas devem ser protegidas com aplicações de fungicidas cúpricos (hidróxido de cobre) e/ou de antibiótico (como a casugamicina na dose de 300 mL/100 L de água), a cada 15 dias.

O produtor deve fazer uma seleção rigorosa das mudas a serem levadas ao campo, e evitar o plantio de mudas com sintomas de mancha aureolada, especialmente em locais sujeitos aos ventos frios. Uma vez introduzida na lavoura, o controle da mancha aureolada é muito mais difícil.

O plantio em locais sujeitos aos ventos frios deve ser muito bem planejado, considerando-se a necessidade de quebra-ventos. Entre as opções de quebra-ventos temporários sugerem-se o milho, a crotalária, o feijão guandu e outras. Como espécies permanentes podem ser utilizadas grevíleas, bananeiras, abacate, cedrinho, eucalipto e outras.

Poucos estudos avaliaram a resistência de cultivares de cafeeiro a essa doença. As cultivares do grupo Mundo Novo mostram-se bastante suscetíveis à mancha aureolada; as cultivares do grupo Catuaí são moderadamente suscetíveis; do grupo Icatu tem resistência parcial e a variedade Geisha é resistente à mancha aureolada.

Medidas emergenciais

Aplicações de fungicidas cúpricos devem ser iniciadas imediatamente e repetidas a cada 20-30 dias, em lavouras que apresentam sintomas. Formulações com o hidróxido de cobre estão registradas para o controle dessa bacteriose em café. Sugere-se que sejam aplicadas na maior dose de registro e, se possível, com a adição de óleo mineral ou adesivo, para aumentar a fixação do cobre nas folhas, especialmente considerando a elevada incidência de chuvas nesta época do ano. Em nossos estudos, o oxicloreto de cobre, na dose de 4,0 kg/ha, foi o cúprico que forneceu o melhor controle da bactéria. Entretanto, há diversos cúpricos registrados para a cultura do café. O importante é que os cúpricos sejam utilizados nas suas maiores doses de registro, para garantir uma quantidade adequada de cobre nas folhas e ramos. O mesmo pode ser adotado para as misturas de produtos. Também é fundamental a regulagem dos equipamentos para que a calda aplicada seja bem distribuída na planta, tanto nos ramos produtivos, como naqueles com folhas mais jovens, especialmente da parte superior da planta, a mais afetada pela mancha aureolada.

 
 
Fig. 1. Folhas jovens atacadas pela mancha aureolada.
 
Fig. 2. Inflorescências e rosetas com mancha aureolada.
 
Fig. 3. Lesões características de mancha aureolada nas folhas.
 
Fig. 4. Mudas atacadas pela mancha aureolada.
 

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