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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Influenza equina
 
 
  Influenza equina  
     
  Eliana M. Cassaro Villalobos - villalobos@biologico.sp.gov.br
Maria do Carmo C. S. H. Lara - lara@biologico.sp.gov.br
Elenice Maria S. Cunha - cunha@biologico.sp.gov.br
Centro de P&D de Sanidade Animal
 
 
Número 154 2/2/2011

 
     
 

A Influenza Equina é uma enfermidade infecciosa do sistema respiratório de grande importância econômica nos equinos, principalmente nos animais de esporte. Sua distribuição é mundial e acomete mais frequentemente animais jovens, ocorrendo também em adultos; em alguns países ela é considerada a mais importante enfermidade viral respiratória. A influenza equina é causada por um RNA vírus de polaridade negativa, envelopado, da família Ortomixoviridae, gênero Influenzavírus A. O vírus da influenza equina sofre mutações constantes. Isso ocorre frequentemente com o subtipo A Equi 2 (H3N8), que também é responsável por causar sintomas mais severos do que o vírus A Equi 1 (H7N7). A replicação do agente ocorre principalmente no trato respiratório superior dos equinos. A severidade dos sintomas varia de acordo com a saúde do animal, a virulência, o tipo viral, o manejo e as condições ambientais. O quadro respiratório é caracterizado por: tosse; febre; apatia; redução do apetite; secreção nasal serosa podendo evoluir para mucopurulenta se houver infecção bacteriana secundária. Grandes concentrações de equinos (provas, eventos, torneios, etc.) favorecem o início de uma epizootia. Os animais podem se infectar em qualquer época do ano, mas surtos ocorrem com maior frequência no inverno e primavera.

O diagnóstico laboratorial é feito através do isolamento do vírus em swab nasofaríngeo coletado na fase aguda da doença e encaminhado prontamente ao laboratório (24h), sob refrigeração, em meio de transporte (MEM). A pesquisa de anticorpos é feita através da prova de inibição da hemaglutinação, devendo-se encaminhar amostras pareadas de soro coletadas com intervalo entre 10 e 14 dias, isto é, na fase aguda e de convalescença.

Existem dois subtipos de vírus da influenza equina: o A Equi 1 e o A Equi 2. Dentre as variantes virais do A Equi 1, destaca-se a Praga 56. As variantes Kentucky 97 e Miami 63 pertencem ao grupo do vírus A Equi 2. Desde 1980, não há confirmação de casos de influenza equina causados pelo subtipo A Equi 1 nos EUA e na Europa, entretanto, o subtipo A Equi 2 tem sido relacionado a vários casos de doenças respiratórias em cavalos de todo o mundo. Por isso, as vacinas devem ser direcionadas principalmente às variantes pertencentes ao subtipo A Equi 2. Alguns estudos científicos apontaram a ocorrência de animais positivos no Brasil. No Rio de Janeiro, estimou-se que 35,9% dos equídeos são sorologicamente positivos para a influenza equina. No Rio Grande do Sul, um estudo revelou 65,4% de animais soropositivos para a doença. No Pará, identificaram 35,79% de animais soropositivos. O subtipo A/Equi 2 foi isolado em surtos de gripe ocorridos em São Paulo, em 1963, e em São Paulo e Rio de Janeiro, em 1969. Em julho de 1976, novos surtos de influenza equina foram registrados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Embora a influenza equina seja uma enfermidade de notificação obrigatória e de grande importância econômica, acredita-se que seja subdiagnosticada no Brasil. A partir do isolamento viral do agente presente nas infecções destes animais, no Brasil, novas vacinas poderão ser elaboradas com a inclusão de cepas nativas, permitindo uma maior proteção dos animais contra enfermidades futuras.

O Laboratório de Raiva e Encefalites, do Centro de P&D de Sanidade Animal do Instituto Biológico, realiza rotineiramente a sorologia e isolamento viral através de material coletado de animais com suspeita clínica da doença. Além disso, desenvolve pesquisa científica referente a essa enfermidade em parceria com pesquisadores de universidades estaduais e federais do Brasil.

Referências consultadas

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