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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Casca d’anta: espécie com potencial medicinal
 
 
  Casca d’anta: espécie com potencial medicinal  
     
  Isabela Cristina Simoni
simoni@biologico.sp.gov.br
Centro de P&D de Sanidade Animal
 
 
Número 158 15/06/2011

 
     
 

A Drimys brasiliensis Miers., conhecida como casca d’anta ou cataia, é uma espécie de planta nativa da floresta Ombrófila Mista da Mata Atlântica e pertencente à família Winteraceae. A espécie está presente em vários estados do Brasil, principalmente nas florestas de montanha das regiões sudeste e sul. A casta d’anta serve para diversos fins como obtenção de madeira, uso em paisagismo e medicinal. Na medicina popular, empregam-se infusões da casca para tratar diversos males, como úlcera, câncer, dores em geral, problemas respiratórios e malária4.

A casca das espécies Drimys, também conhecida como “casca de Winter”, foi descoberta casualmente pelo capitão Winter, um dos tenentes do navegador Sir Francis Drake que foi obrigado a refugiar-se no Estreito de Magalhães para tratar sua tripulação de escorbuto. O nome popular dado a essa espécie está relacionado ao uso das cascas da árvore pelas antas (Tapirus americanus) quando estão doentes e daí foi atribuído o nome popular, sendo esse mais um fato que torna interessante o estudo desta espécie como complemento no cuidado de animais de produção e de companhia6,7.

A espécie também é muito conhecida pelo seu aroma característico por ser rica em óleos essenciais e que também apresenta propriedades medicinais tais como atividade antifúngica, antinoniceptiva, antibacteriana e antioxidante. Pesquisadores, ao analisarem a composição dos óleos de D. brasiliensis, mostraram que os óleos de folhas secas e frescas de desta espécie apresentam quantidades equivalentes de monoterpenos e sesquiterpenos, enquanto que os óleos da fruta e da casca mostraram uma predominância de sesquiterpenos1,4,5.

A distribuição geográfica, bem como a época de coleta, pode interferir na quantidade e, às vezes, até mesmo na natureza dos constituintes ativos variando durante o ano ou nas diferentes estações. Assim, já foram relatadas variações sazonais em metabólitos secundários, como óleos essenciais, flavonoides, saponinas, entre outros².

Outros estudiosos5 descreveram a atividade antifúngica de extratos e compostos isolados de D. brasiliensis, com destaque para o poligodial. Além disso, extratos hexânicos obtidos a partir da casca desta espécie mostraram elevada atividade anti-inflamatória³.

Assim, o uso de plantas também pode ser empregado com fins medicinais nos animais e, entre as diversas doenças que os acometem, estão aquelas causadas por vírus como, por exemplo, os herpesvírus que causam doenças em bovinos, suínos e equinos.

Pesquisas sobre a utilização de produtos naturais com propriedades antivirais são muito promissoras e a maioria dos testes inicialmente é realizada in vitro com a exposição direta de extratos das plantas nas células infectadas com herpesvírus. Esses patógenos são escolhidos em modelos que utilizam culturas celulares por apresentarem efeito citopático rápido, evidente e observável em microscópio de luz visível. A atividade antiviral do extrato de folhas pode ser avaliada pela inibição sobre os vírus ou durante a sua replicação nas células, mas sem causar danos à célula hospedeira. O extrato vegetal ou seu princípio ativo deve ser pouco citotóxico, ter um amplo espectro de ação e não induzir resistência viral.

O Laboratório de Biologia Celular, do Centro de P&D de Sanidade Animal do Instituto Biológico, desenvolve pesquisa científica sobre a atividade antiviral de extratos de folhas de D. brasiliensis contra herpesvírus animais em parceria com a Profa. Dra. Oriana Aparecida Fávero, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e com a colaboração de Rafael Martins Parreira, que obteve bolsa de iniciação científica da FAPESP processo no 2009/01445-0. Extratos brutos de folhas de D. brasiliensis em coletas bimestrais, ao longo de um ano, foram estudados em testes de citotoxicidade e atividade antiviral em células infectadas com cada um dos herpesvírus bovino, suíno e equino. O trabalho realizado indica que os extratos das folhas e cascas de D. brasiliensis apresentam significativa atividade antiviral contra herpesvírus animal, independente da data de coleta, apontando a espécie como promissora para futuros estudos para confirmá-la como opção de uso medicinal e para complementar os cuidados com animais de produção e, consequentemente, melhorar a qualidade dos alimentos de origem animal e a saúde pública pela oferta de alimentos nutritivos e sadios.

A Drimys brasiliensis também é conhecida como substituta da pimenta-do-reino e deste modo pode ser também aproveitada como condimento na gastronomia. Assim, esta espécie, por apresentar potencial medicinal e culinário, apresenta a possibilidade de exploração em propriedades rurais de agricultores familiares que ainda mantém fragmentos florestais da Mata Atlântica6.

A utilização da casca pode ser feita em manejo sustentável de forma a incentivar a conservação da espécie, além de promover a proteção de regiões remanescentes de floresta e proporcionar uma alternativa de renda para a sobrevivência do produtor no campo, aliada a outras atividades de agricultura e pecuária6.

Referências

1. Carvalho L.A.C; Oliveira, F.S.; Toyama, D.O.; Fávero, O.A.; Romoff P.: Lago, J.H.G. Avaliação do potencial antinociceptivo e análise fitoquímica do extrato e do óleo volátil das folhas de Drimys brasiliensis. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 31. 2008, Águas de Lindoia, SP. Resumos.

2. Gobbo-Neto, L.G.; Lopes, N.P. Plantas medicinais: fatores de influência no conteúdo de metabólitos secundários. Química Nova, v.30, n.2, p.374-381, 2007.

3. Lago, J.H.G.; Carvalho, L.A.C.; Silva, F.S.; Toyama, D.O.; Fávero, O.A.; Romoff, P. Chemical composition and anti-inflammatory evaluation of essential oils from leaves and stem barks from Drimys brasiliensis Miers (Winteraceae). Journal of the Brazilian Chemical Society, v.21, n.9, p.1760-1765, 2010.

4. Limberger, R.P.; Scopel, M.; Sobral, M.; Henriques, A.T. Comparative analysis of volatiles from Drimys brasiliensis Miers and D. angustifolia Miers (Winteraceae) from Southern Brazil. Biochemical Systematics and Ecology, v.35, n.3 p.130-137, 2007.

5. Malheiros, A.; Cechinel, Filho, V.; Schmitt, C.B.; Yunes, R. A.; Escalante, A.; Svetaz, L.; Zacchino, S.; Monache, F.D. Antifungal activity of drimanesesquiterpenes from Drimys brasiliensis using bioassay-guided fractionation. Journal of Pharmacy & Pharmaceutical Sciences, v.8, n.2, p.335-339, 2005.

6. Mariot, A. Fundamentos para o manejo de populações naturais de Drimys brasiliensis Miers. - Winteraceae. 2008. 89p. Tese (Doutor em Ciências – Área de Recursos Genéticos Vegetais) – Universidade Federal de Santa Catarina, 2008.

7. Trinta, E.F.; Santos, E. Flora Ilustrada Catarinense – Winteraceae. Herbário Barbosa Rodrigues. Itajaí, SC 1997.

 
 

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