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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Fungos em sementes de urucum
 
 
  Fungos em sementes de urucum  
     
  Pedro Carlos Kruppa - pckruppa@biologico.sp.gov.br
Olga Maria R. Russomanno - russomano@biologico.sp.gov.br
Centro de P&D de Sanidade Vegetal - IB
Eliane Gomes Fabri - efabri@iac.sp.gov.br
Centro de P&D de Horticultura - IAC
 
 
Número 170 21/03/2012

 
     
 

O urucuzeiro (Bixa orellana L.) é uma espécie semiarbórea perene, pertencente à família Bixaceae, originário da América tropical, incluindo a Amazônia brasileira. Atualmente é cultivado em várias regiões do país, onde é popularmente conhecido por urucum, urucu, uru-uva, urucu-bravo, colorau, açafroa, açafrão, orucu ou anoto. Os frutos dessa bixácea são abundantes, de coloração variando de amarela a vermelho-escuro, na forma de cápsulas ovoides, também conhecidas por cachopas, cobertas por longos espinhos flexíveis e apresentando, em média, 60-70 sementes no seu interior. As sementes possuem uma polpa pastosa com pigmentos de importância comercial, que são utilizados nas indústrias têxteis, farmacêuticas, de cosméticos e de alimentos, sendo um dos poucos corantes que não são nocivos à saúde. Além da utilização do colorau na culinária, a planta de urucum é empregada na medicina popular como medicamento para várias doenças.

Como toda planta cultivada, o urucuzeiro está sujeito ao ataque de fungos transmitidos por sementes que causam doenças tanto no canteiro como no viveiro e no plantio definitivo. A íntima associação do fungo com a semente propicia a sua sobrevivência por longos períodos de tempo, possibilitando a introdução de patógenos (agente causal de doenças) nas áreas de cultivo. Os prejuízos vão desde o apodrecimento das sementes, provocando falhas na germinação, à podridão de raízes, do colo e do tecido vascular, causando murchas e morte de plântulas. Ou ainda, posteriormente, o surgimento de manchas foliares e a seca de ramos, resultando em plantas mal desenvolvidas e menos produtivas. Vários trabalhos relatam a importância da semente como disseminadora de doenças ao sistema produtivo agrícola.

Com a expansão do cultivo do urucum no país e o aumento do comércio de sementes e mudas, aliado a falta de um manejo fitossanitário adequado, torna-se inevitável o surgimento e/ou agravamento das doenças de plantas. Levantamento realizado pelos pesquisadores do Laboratório de Micologia Fitopatológica do Instituto Biológico, em parceria com o Centro de P&D de Horticultura do Instituto Agronômico, através da análise de várias amostras de sementes de urucum, originárias de alguns municípios dos estados de São Paulo e Rondônia, mostrou uma grande variedade de espécies de fungos presentes nas sementes. Entre os fungos fitopatogênicos foram detectados: Phomopsis sp., Pestalotiopsis sp., Lasiodiplodia theobromae, Curvularia spp., Fusarium solani, F. oxysporum, Phoma sp., Colletotrichum gloeosporioides, Cylindrocladium clavatum, Alternaria sp. e Rhizoctonia solani. Além desses, foi constatada uma alta incidência de fungos como o Aspergillus spp., Penicillium spp., Cladosporium spp., Rhizopus sp., Mucor sp. e Epicoccum sp. que invadiram as cápsulas e colonizaram a polpa das sementes. Esse ataque pode causar perda qualitativa e quantitativa de corantes, principalmente no teor de bixina, o que reduz sua importância no processo agroindustrial do urucum.

Os fungos transmitidos por sementes de urucum podem provocar manchas foliares, cancro ou secamento de ramos, tombamento de mudas e podridão das cápsulas e sementes.

As manchas foliares podem ser causadas por Pestalotiopsis sp., Curvularia spp., C. gloeosporioides e Alternaria sp. A incidência de doenças foliares provoca injúria nas folhas, diminuindo a eficiência fotossintética e, consequentemente, a produção de seiva, refletindo na produtividade da planta.

O tombamento de mudas é uma doença comum em viveiros, causada por F. solani, F. oxysporum, C. clavatum, Sclerotium rolfsii e R. solani. O ataque desses fungos na raiz, no colo e no sistema vascular compromete a absorção de água e o transporte de nutrientes, afetando o desenvolvimento normal da planta, causando redução do crescimento, murcha e, consequentemente, o seu tombamento e morte.

A podridão das cápsulas pode ser provocada por Fusarium spp., Phomopsis sp., Cladosporium spp, Aspergillus spp., Penicillium spp. e Rhizopus sp. e se manifesta na superfície dos frutos e sementes que ficam recobertos pelas estruturas dos fungos, causando deformação e deterioração.

Os fungos Lasiodiplodia theobromae, Phomopsis sp., R. solani, F. solani e F. oxysporum detectados nas sementes de urucum foram patogênicos e causaram podridão de sementes ou tombamento e morte de plântulas. Alguns trabalhos relatam que L. theobromae pode ocasionar podridão seca ou cancro de ramos em arbustos e árvores tropicais.

O controle das doenças fúngicas na cultura do urucum deve ser feito preferencialmente pelo emprego de variedade resistente e pelo uso de semente, muda e material propagativo livre de patógenos. Além desses, é importante que se faça o manejo fitossanitário, empregando-se práticas culturais que evitam a introdução de doenças ou reduzam a população do fungo nos locais de cultivo. A plantação deve ser vistoriada regularmente, observando-se o aparecimento de doenças logo no seu inicio, evitando-se, assim, a disseminação de fungos.

É recomendável que as sementes e mudas sejam adquiridas de fornecedores idôneos que garantam a sua procedência, qualidade e vigor. No caso de utilização de sementes colhidas de plantas cultivadas pelo próprio produtor, elas devem ser retiradas de cápsulas maduras, sem aparente contaminação por fungos, de plantas sadias e vigorosas. O emprego de sementes sadias e de alto vigor evita a introdução de patógenos nos canteiros, viveiros e, quando semeadas a uma profundidade adequada, possibilitam a rápida emergência e crescimento das plantas, permanecendo por menos tempo suscetíveis aos patógenos.

A adoção das seguintes práticas culturais pode colaborar na redução dos danos causados por fungos: evitar o plantio em área com incidência de doenças que afetam a cultura do urucum; utilizar substrato isento de patógenos na formação de mudas; empregar adubação equilibrada, sem excesso de nitrogênio; corrigir a acidez do solo mediante calagem adequada; espaçar corretamente, evitando alta densidade de plantas no canteiro, viveiro e no campo; plantar em solos com boa drenagem, sem excesso de umidade e que permita o escoamento da água; evitar baixadas úmidas, sujeitas à neblina, o que favorece o desenvolvimento de doenças; podar os ramos e eliminar as partes doentes da planta; evitar que as cachopas permaneçam caídas nas entrelinhas das plantas, pois isso aumenta a contaminação por fungos. Outras práticas culturais como a desinfestação de ferramentas utilizadas nas operações de tratos culturais e o controle de plantas daninhas devem ser utilizadas.

 
 
A-Ataque de Rizoctonia solani em semente recém-germinada; B-tombamento de muda causada pelo fungo
 
A-Cachopa com sementes colonizadas por fungos; B-sementes deformadas devido ao crescimento fúngico
 
A-Crescimento de Fusarium oxysporum na semente; B-semente recém germinada atacada pelo fungo; C-lesão no caule de plântulas
 
A-Crescimento de Fusarium solani na semente; B-tombamento da muda causada pelo fungo
 
A-Semente infectada por Lasiodiplodia theobramae; B- infecção do caule de plântulas mostrando a liberação de esporos
 
A-Semente infectada por Phomopsis sp.; B-picnídios do fungo colonizando a folha de plântulas
 

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