Portal do Governo | Investe SP | Cidadão SP | Internacional SP
 Sábado, 29 de Abril de 2017
Instituto Biológico
     
  Publicações  
     
  bulletArquivos do Instituto Biológico  
  bulletO Biológico  
  bulletPáginas do Instituto Biológico  
  bulletAnais da RIFIB  
  bulletBoletins Técnicos e Outras publicações  
  bulletComunicados Técnicos  
  bulletDocumentos Técnicos  
  bulletFolderes  
  bulletLivro: Bananicultura  
     
     
     
Home > Publicações > Comunicados técnicos > Pragas das palmeiras ornamentais e industriais I: lagarta-das-palmeiras
 
 
  Pragas das palmeiras ornamentais e industriais I: lagarta-das-palmeiras  
     
  Francisco José Zorzenon
zorzenon@biologico.sp.gov.br
Centro de P&D de Sanidade Vegetal
 
 
Número 173 09/04/2012

 
     
 

As palmeiras possuem grande valor estético e comercial em praticamente todas as regiões do Brasil, sendo conhecidas aproximadamente 3.500 espécies, reunidas em 240 gêneros, dentro da família Areacaceae (Palmae). São inúmeras as pragas conhecidas, muitas delas limitantes às palmeiras, causando sérios danos ao desenvolvimento e ao visual das plantas, comprometendo a sua estética e a produtividade. Folhas, estipe (caule), raízes, pedúnculos florais, flores, frutos e sementes, são infestados por um grande número de pragas, afetando diretamente o vigor e a beleza das plantas.

Lagarta-das-palmeiras Brassolis sophorae Linnaeus, 1758 (Ordem Lepidoptera, Família Nymphalidae)

Todos os Lepidoptera, ordem dos insetos que compreende as borboletas e mariposas, passam pela chamada metamorfose completa ou holometabolia em seu desenvolvimento, ou seja, as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Os insetos holometábolos possuem a fase imatura ou fase jovem completamente diferente da fase adulta, tanto em forma, hábitos e, algumas vezes, aparelho bucal e alimentação. Todos os representantes desta ordem possuem um tipo específico de larva chamado “eruciforme”. É na fase jovem (lagarta) que o inseto alimenta-se vorazmente, armazenando reservas em forma de gordura, para que depois, quando pupa, possa obter energia suficiente para se transformar em adulto (borboleta ou mariposa). Apenas na fase de lagarta o inseto se desenvolve ou cresce. Uma vez adulto, o inseto mantém quase inalterado seu tamanho até o final da sua vida.

Descrição e biologia

A espécie Brassolis sophorae (lagarta-das-palmeiras ou lagarta-do-coqueiro) é uma das pragas mais comumente encontrada em palmeiras ornamentais, alimentícias ou de caráter industrial. O adulto é uma borboleta de tamanho médio, de hábito crepuscular, com aproximadamente 70,0 a 80,0 mm de envergadura para os machos e 90,0 a 105,0 mm de envergadura para as fêmeas. As asas anteriores e posteriores são de coloração castanha-violácea com faixas alaranjadas junto às bordas externas em sua face dorsal castanha-clara com três pequenas manchas circulares (ocelos), presentes em cada uma das asas posteriores, em sua face ventral. As manchas alaranjadas nas asas anteriores apresentam-se bifurcadas nas fêmeas no formato da letra Y e sem bifurcação nos machos. As posturas são realizadas em grupos de aproximadamente 100 ovos, depositadas nas próprias folhas. Os ovos são de aspecto cilíndrico, inicialmente branco-amarelados e, posteriormente, tornando-se rosados e cinzas quando próximo à eclosão das lagartas. As lagartas não são urticantes (não são taturanas) e nascem após um período de 20 a 25 dias e podem chegar a 80 mm de comprimento em seu último estádio de desenvolvimento. No início do desenvolvimento, possui coloração bastante vistosa, com cabeça de coloração vermelho vivo, corpo esverdeado de pilosidade clara, com listras longitudinais arroxeadas muito evidentes. Em seus últimos estádios de desenvolvimento, a cabeça passa a ser de coloração menos intensa variando de marrom-avermelhada a marrom escura com lista longitudinal avermelhada e corpo pardo-arroxeado com listras longitudinais castanhas, recobertas por fina pilosidade. Não possuem ornamentações cefálicas e apêndice bifurcado na parte final do corpo, geralmente presentes nos representantes da subfamília Brassolinae a que pertencem. As lagartas são gregárias, passam por seis estádios de desenvolvimento, com ciclo variando entre 50 a 90 dias. Vivem reunidas durante o dia em “casulos” ou “ninhos” feitos da união de folíolos e seda, servindo de abrigo contra predadores e intempéries. As lagartas abrigam-se nesses “ninhos” e os deixam no início da noite para se alimentarem das folhas da planta hospedeira. Podem também abrigar-se junto às axilas das folhas e espatas das inflorescências. Observa-se frequentemente que lagartas provenientes de posturas diferentes se agregam em “ninhos” comuns, encontrando-se 350 indivíduos ou mais de diferentes estádios em um único “ninho” (observação pessoal). Próximo à pupação, as lagartas caminham ativamente pela planta hospedeira e adjacências fixando-se pelo cremaster (extremidade posterior) e transformando-se em pupa, permanecendo por 11 a 15 dias até a emergência do adulto. O ciclo completo de ovo a adulto dá-se em torno de 80 a 125 dias.

Danos

As lagartas alimentam-se dos folíolos, desfolhando completamente a planta atacada, deixando apenas a raque das folhas. A presença de lagartas é facilmente detectada devido à presença de “ninhos”, aos danos nas folhas e ao acúmulo de fezes na forma de pelotas junto ao solo na projeção da copa da palmeira. Esteticamente, é uma das pragas de maior importância, depauperando significativamente o hospedeiro, podendo, em infestações muito severas e subsequentes, levar direta ou indiretamente à morte plantas novas e adultas. Palmeiras industriais como Cocos nucifera (coqueiro), Elaeis guineensis (dendezeiro), Phoenix dactylifera (tamareira), Attalea speciosa (babaçu) e os palmiteiros das espécies Euterpe edulis (juçara), E. oleraceae (açaizeiro), Bactris gasipaes (pupunheira) e Archontophoenix aleandrae (palmeira real australiana, seafortia), além de palmeiras ornamentais dos gêneros Livistona, Phoenix, Sabal, Syagrus, Archontophoenix, Roystonea, Raphia, Attalea, Washingtonia, Chamaedorea, Trachycarpus e Caryota entre outras, são comumente encontradas danificadas pelas lagartas de B. sophorae. Mais raramente encontramos danos em plantas do gênero Dypsis, representado principalmente pelas espécies D. lutescens (areca-bambú), D. decary (palmeira triângulo) e D. madagascariensis (areca-de-lucuba). Próximo à pupação, na fase final da lagarta, normalmente ocorrem verdadeiras invasões residenciais à procura de abrigo, sendo muito comum a visualização de pupas fixadas em paredes e tetos de casas próximas a palmeiras infestadas. Além dos problemas acarretados à planta atacada, outro problema a ser considerado é o da entomofobia causada pelas lagartas, onde o asco e o medo de se deparar com um desses insetos torna-se psicologicamente insuportável para algumas pessoas, apesar das lagartas desta espécie não serem urticantes.

Controle

O controle mecânico através da eliminação manual dos “ninhos” de lagartas em palmeiras menores e com baixa infestação normalmente é suficiente. Apesar de até o momento não existirem inseticidas químicos registrados para o controle de B. sophorae, os piretroides e neonicotinoides poderão ser utilizados, pois são bastante eficientes e de baixa toxicidade. O uso de inseticidas biológicos (agentes entomopatogênicos) em infestações mais severas é recomendado. A bactéria Bacillus thuringiensis var. kurstaki e o fungo Beauveria bassiana são eficientes e devem ser aplicados ao entardecer. As folhas devem ser molhadas abundantemente com o uso de atomizadores ou pulverizadores costais, pressurizados ou motorizados acoplados a barras extensoras. As lagartas infectadas pela ingestão do B. thuringiensis var. kurstaki, aplicado sobre as folhas, cessam a movimentação e a alimentação, adquirem coloração marrom-escura e morrem em aproximadamente 18 a 72 horas. Novas aplicações deverão ser realizadas aproximadamente a cada 15 dias. A infecção pelo fungo B. bassiana dá-se normalmente pelo contato com o tegumento. A penetração na lagarta leva cerca de 12 horas e a colonização e morte em, aproximadamente, 72 horas, em condições favoráveis de umidade (90% UR) e temperatura (23 a 28ºC), deixando-a com aspecto “mumificado”, com coloração branca levemente amarelada.

Referências

Alves, S.B. (coord.) Controle microbiano de insetos. Editora Manole, 1986. 407p.

Costa, J.M. Pragas das palmáceas. Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Leste, 409-411. 1973.

Ferreira, J.M.S.; Warwick, D.R.N.; Siqueira, L.A. Cultura do coqueiro no Brasil. Sergipe: EMBRAPA - SPI, 1994. 309p.

Gallo, D. et all. Entomologia agrícola. Piracicaba, Fealq. 2002. 920p.

Lepesme, P. Les insects des palmier. Paris. Paul Lechevalier, 1947. 899 p.

Lorenzi, H.; Souza, H. de M.; Costa, J.T. de M.; Cerqueira, L.S.; Ferreira, E. Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas. Inst. Plantarum, Nova Odessa, 2004. 432p.

Zorzenon, F.J. Principais pragas das palmeiras In: Alexandre, M.A.V; Duarte, L.M.L.; Campos-Farinha, A.E. de C. Plantas ornamentais: doenças e pragas, Cap. 10 p. 207-247, 2008.

 
 
Lagartas de Brassolis sophorae
 
Fêmea adulta de Brassolis sophorae
 
Lagartas-das-palmeiras
 
Danos em pupunha
 
Danos em palmeira real
 

Página inicial Fale conosco Links Ouvidoria Mapa do site Intranet Webmail
 
  Instituto Biológico
Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1.252 - CEP 04014-900
Telefone: (11) 5087-1701 - São Paulo - SP - Brasil