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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Míldio da alface: severo e destrutivo
 
 
  Míldio da alface: severo e destrutivo  
     
  Jesus G. Töfoli - tofoli@biologico.sp.gov.br
Ricardo J. Domingues - domingues@biologico.sp.gov.br
Josiane T. Ferrari - takassaki@biologico.sp.gov.br
 
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal
 
224 28/04/2017

 
     
 

O míldio, causado pelo oomiceto Bremia lactucae Regel, representa uma das maiores ameaças ao cultivo da alface. Frequente nas principais regiões produtoras do país, a doença tem maior ocorrência entre os meses de abril a setembro.

No início, as manchas foliares são verde-claras ou amarelas, úmidas, angulares e de tamanho variável. Ao evoluírem, elas se tornam necróticas, pardas e apresentam um crescimento branco aveludado na face inferior das lesões. A doença reduz de forma significativa a área foliar das plantas, comprometendo o desenvolvimento e o valor comercial da produção. A doença ocorre com mais frequência durante as fases de produção de mudas e logo após o fechamento da cultura no campo.

B. lactucae pertence ao Reino Stramenopila e caracteriza-se por ser um parasita obrigatório, que apresenta parede celular com celulose e betaglucanas, micélio cenocítico, hifas ramificadas, esporangióforos com extremidades dilatadas, esporângios arredondados e zoósporos flagelados, podendo formar estruturas de resistência denominadas oósporos. O míldio pode ser causado por várias raças, o que dificulta a obtenção de cultivares resistentes. Destaca-se que as populações do patógeno são dinâmicas e o surgimento de novas raças é algo esperado, exigindo que os programas de melhoramento estejam sempre incorporando novos genes de resistência, para que ela possa ser mantida ou ampliada. Estudos realizados entre 2003 a 2014, com cultivares diferenciadoras e isolados de B. lactucae provenientes de 33 municípios paulistas, identificaram a presença de 17 raças no estado.

A doença é favorecida por períodos de chuva fina, orvalho e névoa e por temperaturas amenas a baixas, que variam de 12 a 20 °C. A presença de água livre na superfície das plantas, ou seja, 4 horas de molhamento foliar, é suficiente para que a infecção ocorra e a doença se desenvolva. A ação de ventos associada a respingos de água de chuvas e irrigação favorecem a sua disseminação.

Sabe-se que além do Gênero Lactuca, B. lactucae pode atacar também outros hospedeiros como chicória (Chichorus intybus), marianinha (Centaurea cyanus L.), sempre-viva (Helichrysum bracteatum L.), serralha-lisa (Sonchus oleraceus L.), serralha-de-espinho (Sonchus asper L.) e, em alguns casos, alcachofra (Cynara scolymus L.).

Entre as medidas recomendadas para o seu manejo do míldio da alface destacam-se:
• Plantio de mudas sadias
• Local de cultivo Evitar o plantio e a produção de mudas em áreas sujeitas ao acúmulo de umidade, circulação de ar limitada e próximas a cultivos em final de ciclo.
• Cultivares tolerantes ou resistentes

Atualmente, as empresas de sementes disponibilizam cultivares com diferentes níveis de resistência ao míldio (Quadro 1). Em geral, a tolerância/resistência se expressa por meio da redução do número e do tamanho das lesões e diminuição do potencial de esporulação. Destaca-se, ainda, que a suscetibilidade das cultivares pode variar em função das condições climáticas, genótipos do patógeno, pressão de doença, época de plantio, espaçamento adotado, nutrição das plantas etc.

• Espaçamento
Evitar o plantio adensado, principalmente em épocas favoráveis.

• Adubação equilibrada
Evitar o excesso de adubação nitrogenada, uma vez que tecidos tenros favorecem a infecção. Níveis adequados de fósforo, cálcio, potássio e silício podem reduzir a doença. A análise química foliar e do solo podem auxiliar o produtor a fornecer esses elementos nas quantidades exigidas pela planta e adequadas para cada situação.

• Irrigação
Reduzir as regas e evitá-las no final de tarde. Quando possível, optar por irrigação localizada.

• Rotação de culturas
Evitar o cultivo sucessivo de alface com o objetivo de reduzir o inóculo na área.

• Controle de plantas invasoras
Além de concorrerem por luz e nutrientes, a presença de invasoras pode dificultar a dispersão da umidade, favorecendo a doença.

• Cultivo protegido
Em estufas e cultivo hidropônico, promover circulação de ar no ambiente de cultivo.

• Eliminar e destruir plantas remanescentes e descartes de pós-colheita.

• Aplicação de fungicidas
Em áreas com histórico da doença, o uso de fungicidas registrados deve ser preventivo e realizado dentro de programas de produção integrada. O produtor deve seguir todas as recomendações do fabricante quanto à dose, volume, intervalo e número de aplicações, uso de equipamento de proteção individual (EPI), intervalo de segurança, armazenamento de produtos, descarte de embalagens etc.

Para evitar a ocorrência de resistência de B. lactucae recomenda-se que fungicidas específicos sejam utilizados de forma alternada ou formulados com produtos de contato; que se evite o uso repetitivo de produtos com o mesmo mecanismo de ação; e que não se façam aplicações curativas em situações de alta pressão de doença.
Os fungicidas registrados para o controle do míldio da alface encontram-se descritos no Quadro 2.

• Controle biológico
Segundo a literatura, formulações de Bacillus subtilis QST 713, Streptomyces lydicus, Bacillus pumilus Strain QST 2808 e Bacillus amyloliquefaciens podem promover o controle do míldio da alface. De modo geral, esses micro-organismos agem de forma a impedir ou limitar a ação do patógeno ou induzir o sistema de defesa da planta.

• Fosfitos
Registrados como fertilizantes, os fosfitos apresentam propriedades sistêmicas e caracterizam-se por estimularem o crescimento das plantas, por possuírem ação fungicida sobre oomicetos e por estimularem a produção de fitoalexinas (compostos produzidos pela planta, capazes de reduzir ou inibir a infecção). Existem relatos da ocorrência de resistência de B. lactucae a esses produtos nos Estados Unidos.

• Sistemas orgânicos
Além das práticas culturais abordadas anteriormente, alguns sistemas orgânicos permitem o uso da calda bordalesa. Além da dosagem correta e da aplicação preventiva, recomenda-se que a calda seja utilizada com critério pelos produtores, pois pode ser fitotóxica em culturas jovens e quando aplicada em condições de alta temperatura.

• Vistoria constante da cultura
Tem o objetivo de identificar focos iniciais da doença e direcionar as decisões de forma a reduzir o impacto negativo da doença.

Literatura consultada

KOIKE, S.T.; GLADDERS, P.; PAULUS, A.O. Vegetable Diseases: a colour handbook. St. Paul: APS. 2007. 448 p.

KRAUSE-SAKATE, R.; PAVAN, M.A.; MOURA, M.F.; KUROZAWA, C. Doenças da alface. In: AMORIN, L et al., H. (Eds.). Manual de Fitopatologia: doenças das plantas cultivadas. 5ª edição. Ouro Fino: Ceres, 2016. v.2, p.33-40.

LOPES, C.A.; QUEZADO-DUVAL, A.M.; REIS, A. Doenças da alface. Brasília: Embrapa Hortaliças. 2010. 68p.

TÖFOLI, J.G.; DOMINGUES, R.J.; FERRARI, J.T. Míldio e mofo branco da alface: doenças típicas de inverno. Biológico, São Paulo, v.76, n.1, p.19-24, jan./jun., 2014.

TÖFOLI, J.G.; DOMINGUES, R.J. Doenças e métodos de controle de doenças fúngicas na cultura da alface. PROSAF. Programa de Sanidade em Agricultura Familiar, Instituto Biológico Link, 2016. 24 p.

 
 
Campo de alface
 
Produção de mudas
 
Sintoma de míldio em mudas
 
Sintoma inicial
 
Míldio em alface
 
Detalhe da esporulação de Bremia lactucae
 
Quadro 1. Exemplos de cultivares de alface resistentes/tolerantes ao míldio (B. lactucae) disponíveis no mercado.
 
Quadro 2. Fungicidas (i.a.) registrados para o controle do míldio da alface no Brasil.
 

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