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Home > Publicações > Comunicados técnicos > Controle do míldio em alface
 
 
  Controle do míldio em alface  
     
  Jesus G. Töfoli
tofoli@biologico.sp.gov.br
Ricardo J. Domingues
domingues@biologico.sp.gov.br
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal
 
Fonte: Revista Cultivar - jun./jul. de 2007
 
Número 53 28/08/2007

 
     
 

Responsável por perdas superiores a 80%, o míldio, é uma das principais doenças da alface. Com ocorrência em qualquer fase do ciclo da cultura e favorecido por condições de alta umidade, o fungo oomiceto Bremia lactucae afeta drasticamente a produção, a qualidade e o valor do produto colhido. Para minimizar os danos, além do emprego de cultivares resistentes e do controle da água de irrigação, é de fundamental importância o diagnóstico correto no início do desenvolvimento dos primeiros sintomas, bem como a adoção de fungicidas adequados às exigências do patógeno.

O míldio representa uma importante doença da cultura da alface sob condições de alta umidade e temperaturas entre 12 e 20 ºC. A doença ocorre nas folhas afetando drasticamente a produção, a qualidade e o valor do produto colhido. Pode ocorrer em qualquer fase do cultivo e, uma vez instalado na área de cultivo, caracteriza-se por possuir um elevado potencial destrutivo que, aliado à dificuldade de controle, pode causar perdas superiores a 80 % na produção. Dessa forma, o diagnóstico correto e logo no início do desenvolvimento dos primeiros sintomas da doença, passa a ser de importância fundamental para que medidas efetivas de controle sejam adotadas a tempo de se evitar danos econômicos graves.

A doença é causada pelo oomiceto Bremia lactucae (família Peronosporaceae, reino Stramenopila), que se caracteriza por ser um parasita obrigatório, isto é, desenvolve-se somente em tecidos vivos do hospedeiro. A infecção inicia-se quando os esporângios germinam produzindo o tubo germinativo e penetram diretamente através da epiderme das folhas. O micélio cenocítico (sem septos) do patógeno coloniza intercelularmente os tecidos do hospedeiro, retirando nutrientes de suas células através de estruturas especializadas denominadas haustórios. As estruturas reprodutivas (esporângios e esporangióforos) são produzidas à noite emergindo a partir dos estômatos das folhas. A liberação dos esporângios ocorre durante o dia quando a umidade relativa é menor.

O patógeno pode infectar plantas de alface em qualquer estádio do desenvolvimento. Os sintomas iniciais manifestam-se nas folhas basais através de manchas amareladas de tamanho variável. No início as manchas são freqüentemente de aspecto angular, ou seja, delimitadas pelas nervuras da folhas. Posteriormente, estas áreas tornam-se necróticas, pardas e verifica-se na face inferior das mesmas, abundante esporulação branca constituída de esporângios e esporangióforos do patógeno, as quais se formam entre 24 e 28 horas após o surgimento dos sintomas. Os esporângios podem ser disseminados rapidamente pela água de irrigação e chuvas criando novos ciclos da doença.

Os ventos são capazes de disseminar rapidamente os esporângios dentro de uma mesma área até grandes distâncias, criando novos ciclos da doença. As águas de irrigação e da chuva são importantes para a disseminação local ou planta a planta do patógeno. Para que ocorra o processo germinação do esporângio essencial que haja uma película água na superfície foliar. A enfermidade também pode ser iniciada por zoósporos do fungoque podem infectar diretamente as plantas ou podem encistar causando infecções tardias. O patógeno é sensível à radiação solar, a altas temperaturas e baixa umidade, condições que prejudicam o estabelecimento da doença. Os esporângios conseguem sobreviver melhor e germinar em folhas sombreadas e em dias nublados. No interior dos tecidos do hospedeiro, B. lactucae forma esporos de origem sexual, uma vez que é o resultado da fecundação do oogônio pelo anterídeo, denominados oóporos. Estes são capazes de sobreviver nos restos de cultura, podendo servir como fonte de inóculo primário para o próximo plantio. Por serem de origem sexual, representam uma importante fonte de diversidade genética para o patógeno.

Para o manejo do míldio da alface recomenda-se a integração das diferentes metodologias disponíveis. O plantio de cultivares resistentes tais como: raider plus e rubette (tipo americana) letícia (tipo lisa), locarno, (tipo crespa) e pira roxa (tipo roxa), constitui-se no método de controle mais prático, eficiente e com maior retorno econômico para o produtor. De maneira geral, as cultivares do tipo americana e lisa são mais suscetíveis à doença enquanto que as do tipo crespas são mais tolerantes. O patógeno possui a capacidade de produzir raças que podem com o tempo, infectar cultivares anteriormente resistentes.

Medidas que visem a redução da umidade nas plantas e no ambiente como: evitar irrigações excessivas e ao final da tarde, aumento do espaçamento entre as plantas e evitar o plantio em áreas de baixadas sujeitas ao acúmulo de água, favorecem o rápido secamento das folhas após as irrigações, chuvas e orvalho, prejudicando sensivelmente a esporulação e a germinação dos esporângios e impedindo a continuidade do ciclo do patógeno. No cultivo protegido a circulação de ar é prejudicada podendo favorecer a doença. A remoção das plantas doentes no final do ciclo e a rotação de culturas evitando o plantio de alface por vários anos na mesma área, são medidas que visam reduzir a fonte de inóculo inicial representada pelos oósporos existentes no interior dos tecidos das plantas atacadas. É recomendável que a produção das mudas seja realizada em local livre de riscos de contaminação, garantindo a sanidade das mudas produzidas.

Pulverizações preventivas com produtos antioomicetos protetores e sistêmicos são necessárias para o controle adequado do míldio sob condições favoráveis. O sucesso no controle depende basicamente dos produtos utilizados, da tecnologia de aplicação empregada, do momento em que se iniciam as aplicações, bem como pelo intervalo e número de aplicações exigidas em função das condições climáticas locais. Diferentemente de outras hortaliças como tomate e batata, existem poucos produtos registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para serem utilizados legalmente no controle químico da doença.

Os produtos protetores à base de mancozeb e captan caracterizam- se por apresentar amplo espectro de ação e, quando pulverizados, formam uma película protetora sobre a superfície foliar. Por apresentarem ação de contato devem ser utilizados na ausência de sintomas da doença e devem ser aplicados de forma a proporcionarem a melhor cobertura possível. O intervalo médio entre aplicações varia entre sete e 15 dias, recomendando- se os intervalos menores quando as condições climáticas forem favoráveis para a ocorrência do míldio. Apresentam baixo risco de desenvolvimento de resistência não havendo limites quanto ao número de aplicações destes produtos por safra. mancozeb apresenta boa ação também contra a septoriose, causada pelo fungo mitosporico (Septoria lactucae), outra doença de grande importância para a cultura da alface.

Uma vez que as condições ambientais se tornem altamente favoráveis à doença, deve-se optar pelo uso de um produto sistêmico como o fenamidone. Este apresenta ação preventiva, curativa e antiesporulante e caracteriza- se por ser altamente eficiente no controle do míldio. Todavia em função de sua alta especificidade seu uso deve ser limitado, não excedendo o máximo de três aplicações por safra, pois existe a possibilidade do produto perder a sua eficiência devido ao surgimento de raças resistentes. O fenamidone deve ser aplicado logo após o aparecimento dos primeiros sintomas e de maneira alternada com produtos de contato. O uso de fungicidas deve ser realizado em função das recomendações técnicas do fabricante. Existem relatos da utilização com sucesso de fosfito de potássio no manejo do míldio da alface dentro de programas de aplicação com produtos antioomicetos.Considerando que a alface uma hortaliça de consumo direto, os produtores devem estar sempre atentos aos intervalos segurança dos produtos utilizados no controle químico da doença, para que possam oferecer um produto seguro ao mercado consumidor

Origem e distribuição

Originaria da Ásia e pertencente à família Cichoriaceae, a alface (Lactuca sativa L.) apresenta uma excelente aceitação pelo mercado consumidor, sendo a folhosa mais produzida e consumida no Brasil e no mundo. Cultivada principalmente nos estados da região Centro-Sul do país, a cultura possui elevado nível tecnológico e inúmeros cultivares o que permite seja plantada sob diferentes condições como em campo aberto, cultivo protegido ou hidropônico durante o ano inteiro. A hortaliça apresenta quantidades razoáveis de vitaminas A e C, niacina, folatos e minerais como cálcio (Ca), fósforo (P), magnésio (Mg), ferro (Fe) além de fibras alimentares, destacando- se também por sua propriedade calmante. Componente tradicional em saladas a alface ganha a cada dia mercados mais diferenciados como o de redes de "fast food" e o de produtos minimamente processados.

 
 
Cultivares do tipo americana e lisa, são mais suscetíveis à doença, as do tipo crespas são mais tolerantes
 
Na face inferior das folhas pode-se observar a abundante esporulação de B. lactucae
 
Esporângios e esporangióforo do patógeno vistos ao microscópio
 

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