Quinta-Feira, 17 de Maio de 2012
Instituto Biológico
     
  O Instituto Biológico  
     
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  Quem somos  
     
  Instituto Biológico – 1927/2011

O Instituto Biológico (IB) oferece soluções significativas para o agronegócio e as transfere para o segmento produtivo. Contribui da melhor maneira para o desenvolvimento, a redução dos custos de produção, a inclusão social e a preservação ambiental, colaborando para o bem estar da população.

Na formação de cientistas
O Instituto Biológico é o primeiro centro de formação de cientistas e de debate científico no Estado de São Paulo. Aqui foi discutida a criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e fundada a Sociedade Brasileira de Entomologia. Em reuniões semanais, abraçava-se o conteúdo da ciência no Brasil e no exterior, absorvendo o conhecimento dos participantes e dos conferencistas, provocando o ideal da ciência completa para o desenvolvimento do País.

Missão
O Instituto Biológico tem como missão desenvolver e transferir conhecimento científico e tecnológico para o negócio agrícola nas áreas de sanidade animal e vegetal, suas relações com o meio ambiente, visando a melhoria da qualidade de vida da população.
Seu grande desafio como instituição, hoje, é aliar um histórico de contribuições a um presente que exige excelência e prontidão de resposta a uma sociedade em profunda transformação, com alteração no perfil do controle das pragas e doenças, com interferência de fatores relacionados ao modelo de desenvolvimento econômico, às alterações ambientais, às migrações e ao intercâmbio internacional.

Atuando
Na solução de problemas sanitários da agropecuária paulista e brasileira, o IB ganhou projeção internacional ao longo de seus 80 anos de existência. Nesse tempo, passou por várias reformas em sua organização. A mais recente aconteceu em 2002, quando da reorganização da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios - APTA, órgão que coordena os institutos de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). Várias unidades no interior do Estado de São Paulo deixaram de fazer parte do Instituto Biológico e se aglutinaram em Pólos Regionais unindo-se às diversas instituições da SAA.

Em seus laboratórios
O IB desenvolve um grande número de programas de pesquisa, muito deles em parceria com entidades nacionais e internacionais, para atender o setor produtivo em suas diversas áreas de atuação. Participa em campanhas sanitárias contra a febre aftosa, raiva, tuberculose, brucelose, cancro cítrico e clorose variegada do citros.

Para desenvolver suas atividades
O Instituto Biológico conta com uma equipe multidisciplinar de excelência com várias formas de capacitação. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) credenciou diversos laboratórios de Sanidade Vegetal (Bacteriologia, Fitovirologia e Fisiopatologia, Micologia, Nematologia, Entomologia, Entomologia Econômica, Controle Biológico, Ciência das Plantas Daninhas), Sanidade Animal (Doenças de Suínos, Viroses de Bovídeos, Doenças Bacterianas da Reprodução) e Proteção Ambiental (Laboratório de Resíduos). Convém mencionar que esses laboratórios, diante de sua forte vocação em diagnóstico e atuação em políticas públicas, possuem habilitação fornecida pelo MAPA para participarem dos Programas de Saúde Animal, entre eles: Controle de Raiva dos Herbívoros e outras Encefalopatias, Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose, Erradicação da Febre Aftosa, Sanidade Suína e Sanidade Avícola.

Atividade científica
É dividida entre o complexo de laboratórios da Sede pertencente aos Centros de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal, Vegetal e Proteção Ambiental. Possui ainda, um Centro de Comunicação e Transferência do conhecimento que tem como conteúdo várias unidades que atendem essa área do conhecimento. Também, neste Centro, um Museu e um Centro de Memória fazem parte de seu conteúdo de ações. Além disso, o Centro de Administração dá o suporte às várias atividades institucionais.
O Instituto biológico possui, também, laboratórios no Município de Descalvado, o Centro Avançado de Tecnologia do Agronegócio Avícola– aves de corte – e, em Bastos, a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento – aves de postura. Em Campinas, um Centro Experimental Central que, além de possuir vários laboratórios na área vegetal, mantém campos experimentais.
A esse somatório de conhecimento, alia-se pesquisa, desenvolvimento tecnológico e produção de bens, com esforços direcionados para ações de grande impacto social.

Divulgação do conhecimento
Publicações - publica o periódico "Arquivos do Instituto Biológico" (impressa – ISSN 0020-3653 e on line – ISSN 1808-1657) que tem como conteúdo artigos originais de pesquisa científica em sanidade animal e vegetal, voltados ao agronegócio e suas implicações no agroambiente, incluindo nesse escopo a qualidade e a segurança alimentar. Aceita, também, artigos sobre pragas sinantrópicas; periódico "O Biológico" (impressa – ISSN 0366-0567 e on line – 1980-6221) que apresenta trabalhos nas mesmas áreas apontadas para a revista Arquivos, mas na forma de divulgação científica. Essas revistas publicam, além dos artigos dos pesquisadores do Instituto Biológico, trabalhos de pesquisadores de instituições de pesquisa e ensino de todo o território brasileiro;  “Páginas do Instituto Biológico” (on line- ISSN – 1809-3353) que tem, como conteúdo, as ciências biológicas, agrárias e ambientais em curadoria, museologia, educação em museus e história da ciência. Os Boletins Técnicos (impressa- ISSN 1413-2400) são publicações que contêm recomendações e/ou informações baseadas em resultados experimentais ou em observações, realizados por pesquisadores do IB.
Pós-Graduação - o curso Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio, em nível de mestrado, tem por finalidade a capacitação de profissionais com perfil multidisciplinar e qualificados para a pesquisa e a docência nas diferentes áreas das ciências e nas atividades de investigação científica, desenvolvimento e transferência de tecnologia aplicável ao agronegócio. Seu caráter inovador está relacionado ao desafio de formar profissionais para compreender e intervir no processo de desenvolvimento do agronegócio e na geração de políticas públicas, tendo como base o uso correto e sustentável dos recursos naturais, para contribuir na melhoria da quantidade e qualidade dos alimentos, mediante pesquisa em diagnóstico, prevenção, monitoramento, controle e erradicação de pragas e doenças e no atendimento de novas demandas econômicas, sociais e ambientais.
Eventos - realiza eventos nacionais como as Reuniões Anuais do Instituto Biológico – RAIB, que reúne especialistas de instituições de pesquisa e ensino e da iniciativa privada de todo o território brasileiro; o Congresso de Iniciação Científica em Ciências Agrárias, Biológicas e Ambientais – CICAM, evento que une os estudantes universitários, promovendo a Iniciação Científica desses estudantes; PROSAF - Programa de Sanidade em Agricultura Familiar, coordenado pelo Instituto Biológico, - desenvolve ações de curto, médio e longo prazos para transferir conhecimento e gerar tecnologias nas áreas de sanidade animal, vegetal e ambiental, visando à melhoria da qualidade de vida dos agricultores e dos alimentos produzidos nos vários Municípios do Estado de São Paulo.  Este programa conta com a colaboração dos Pólos/APTA, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral e de associações de produtores dos municípios atendidos.a Reunião Itinerante de Fitossanidade do Instituto Biológico – RIFIB que estabelece um elo com a atividade rural e, ainda, inclui a comunidade que o cerca estabelecendo ações que divulgam o conteúdo pragmático de suas realizações.
Museu - apresenta em vitrines suas atividades de pesquisa no Museu do Instituto Biológico. Temas de interesse da comunidade estão dispostos com uma textura simples para o perfeito entendimento das atividades na instituição.
Centro de Memória – Vinculado ao Museu do Instituto Biológico, este Centro possui acervo com cerca de 340.000 documentos relacionados à História das Ciências no Instituto Biológico e em instituições de pesquisa e ensino, quer do Brasil quer do exterior. Datam do final do século XIX, permeiam o século XX e é fato também no século XXI.
Coleções especializadas: helmintológica (área animal), bacteriológica, micoteca, herbário, entomológica e de microrganismos entomopatogênicos (área vegetal) são freqüentemente consultadas por pesquisadores do país e do exterior. Também, um fundo de documentos da História da Ciência do nosso país e do exterior – Centro de Memória.
Biblioteca - possui acervo de 100.000 volumes de periódicos, 12.472 livros e 4.000 folhetos cujos conteúdos são de grande valia para os consulentes.

Ações relevantes
Biossegurança: Aprovada pela Câmara Municipal de Campinas, e sancionada pela Prefeitura desta mesma cidade, a lei número 11.318, de 25 de julho de 2002, que inclui o Centro Experimental Central do Instituto Biológico na Comissão Técnica Municipal de Biossegurança.
Convênios vigentes: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, CNPq, FAPESP, FINEP, EMBRAPA, PNP&D Café, CEAGESP, FUNDACENTRO, IMMETRO, Bayer, Dow AgroScience, Empresa Hacarzinho, Ihara Bras, Ind. Químicas S/A, IRAC-BR (Comitê Brasileiro de Ação a Resistência a Inseticidas) Nestlé S/A, industrias produtoras de pesticidas, produtores, pecuaristas, exportadores de alimentos, FAPESP, Companhia Brasileira de Alumínio, Sementes Hortec, Seminis e Flora Hiranaka, CATI, SEBRAE, Faculdades Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ), Agência Internacional de Energia Atômica-FAO, Comissão Nacional de Sanidade Animal, Colégio Brasileiro de Reprodução Animal e com diversas universidades nacionais e internacionais.
Produção de insumos: produz, com padrões internacionais, imunobiológicos como: Antígeno acidificado tamponado para diagnóstico da brucelose, Antígeno para diagnóstico da brucelose-prova lenta, Antígeno para diagnóstico da brucelose-prova anel no leite, Tuberculina PPD bovina e Tuberculina PPD aviária para o atendimento da demanda de produtores em São Paulo e estados da União.
Biofábricas: o Instituto Biológico presta consultoria na instalação de biofábricas do fungo Metarhizium anisopliae para o controle biológico da cigarrinha da cana-de-açúcar.
Colaboração: o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Animal colabora com o Programa Nacional de Combate à Febre aftosa desde o seu credenciamento pelo MAPA, executando, desde 2001, 19.000 exames para fins de movimentação de animais de áreas livres com vacinação para áreas de risco, além de animais de exportação e sêmen.
Gestão de Qualidade: no Programa de Gestão da Qualidade foram certificados, em 2010, com referência à ISO 9001:2008 os processos das seguintes unidades: Produção de Imunobiológicos e Insumos; Revista “Arquivos do Instituto Biológico”; Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio Avícola; Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Bastos; Controle Biológico; Doenças Fúngicas em Horticultura; Entomologia Geral; Fitovirologia e Fisiopatologia; Anatomia Patológica; Bacteriologia Geral; Patologia de Sementes; Toxicologia e Museu/Centro de Memória.

HISTÓRICO

Em 26 de dezembro de 1927, sob a Lei nº 2.243, era criado o Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal que, em 1937, passou a denominar-se Instituto Biológico.
Arthur Neiva com seu espírito de luta conseguiu seu intento e, ainda mais, fez implantar o Regime de Tempo Integral (esse regime, obriga os pesquisadores trabalharem em tempo integral na instituição, não podendo exercer outras atividades que não aquelas de pesquisa em seus laboratórios), sua primeira aplicação, no Instituto Biológico, tão logo foi criado.
O Instituto cresceu rapidamente, não tardando o aparecimento de diferenciações nas mais diversas especialidades - inclusive algumas não previstas em sua estrutura inicial. Na reforma de 1934, o Instituto absorveu a Defesa Sanitária Animal, além de ganhar mais seis seções. À estrutura de pesquisa ficavam agregados dois serviços de aplicação - o de defesa sanitária animal e o de defesa sanitária vegetal.
O Instituto Biológico localizava-se, inicialmente, em vários prédios adaptados e distantes uns dos outros (Rua Brigadeiro Luiz Antonio, Rua Marques de Itu, Rua Florisbela hoje Nestor Pestana, Rua Washington Luiz, Rua Pires do Rio e na Cidade de Santos), fato que provocava  inconveniências operacionais.
Em 1928 foi doada uma área de, aproximadamente, 239.000 m² para a construção do Instituto. Era uma área pouco valorizada, conhecida como "Campo do Barreto", e que, mais tarde, uma parte foi cedida ao Parque do Ibirapuera. Era uma várzea com muitas aves e todo esse conjunto chamava-se “Invernada dos Bombeiros” e que era cortado pelo Córrego do Sapateiro. Hoje, essa área é definida pela Av. Ibirapuera, Av. Brasil e Av. Cons. Rodrigues Alves. O terreno para a construção do Instituto Biológico foi permutado por um terreno de propriedade municipal (Parque Fernando Costa), situado à Av. Água Branca, esquina da Rua Sarapuhy, hoje Rua Ministro Godoy, distrito Perdizes. A autorização foi assim redigida: "Fica a Secretaria da Fazenda e do Tesouro do Estado autorizada a fazer a permuta de quinhentos e cinqüenta mil metros quadrados de terreno pertencente ao patrimônio do Estado contidos na área da Invernada do Corpo de Bombeiros (Invernada dos Bombeiros), no distrito de Villa Mariana, no Município e Comarca da Capital, com 124.000 m², pertencente à Municipalidade da Capital, contidos na área dos que constituem a Escola e Promologia, à Av. Agua Branca, distrito da Lapa, também no Município e Comarca da Capital. Palácio do Estado de São Paulo, em 20 de janeiro de 1928. Julio Prestes de Albuquerque".

Começa a caminhada para que o ideal fosse estabelecido – obstáculos e ações
Em 1928 iniciou-se a construção do prédio sede (localizado à Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, São Paulo, Capital) que demorou 17 anos para ser concluído, sendo inaugurado em 25 de janeiro de 1945 com a presença de Fernando Costa, interventor no Estado. Henrique da Rocha Lima (1879/1966), que assumiu em 1933 o cargo de Diretor Superintendente do Instituto Biológico, lutou bravamente pelo término da obra, como conta em vários artigos publicados na revista "O Biológico". Casado com a filha de Fernando de Souza Costa, conseguiu junto ao sogro o término de tão sofrida caminhada.
Em novembro de 1930 o Instituto Biológico "abrigou 800 soldados e respectiva cavalhada" do 5º batalhão de engenharia. O primeiro andar era utilizado para o preparo de alimentos e alguns homens dormiam no próprio edifício em construção. O IB, com várias tentativas da retirada do batalhão, conseguiu esse intento em dezembro de 1930.
Em 1932, São Paulo lutava contra as forças do governo, o Instituto ainda em construção, teve seu prédio utilizado como acampamento dos soldados gaúchos. Em 1937, temendo que o prédio fosse ocupado por Getulio Vargas, haja vista durante a revolução de 1930 os soldados também fizeram deste espaço seu território, Henrique da Rocha Lima, 2º Diretor do Instituto, e alguns de seus discípulos deslocaram-se rapidamente de seus laboratórios nas casas alugadas e ajustaram-se aos meios que podiam, tomando posse do prédio ainda em construção. Naquele tempo ainda, em salas do 1º andar, senhoras da região ensinavam enfermagem para aquelas que se dispunham a ir para os campos de combate a fim de atuarem com enfermeiras.
Com o aparecimento da encefatite epizoótica foi resolvida a instalação, em 1938, de alguns laboratórios no edifício central: Anatomia Patológica, Fisiologia, Zoologia, Química, Entomologia. As seções de Expediente, Contabilidade, Tesouraria, Vigilância Animal e Vegetal, Fotografia e Depósito de Inseticidas foram transferidas do prédio da Av. Brigadeiro Luiz Antonio e de grande parte das instalações da Rua Marques de Itú. Somente a Biblioteca continuou neste último endereço, pois a falta de estantes no Instituto Biológico prejudicava sua transferência. Mais tarde, os laboratórios da Rua Pires do Rio não tardaram a se deslocarem também para o IB.
A luta pelo término da construção do prédio, símbolo de um grande combate que atravessou as revoluções de 1930 e 1932 e ao golpe de 1937, resultou na indissociável imagem do Instituto e sua sede, utilizada até nos papéis timbrados que emite.

Os espaços
O complexo do Instituto Biológico ocupava uma área enorme indo até o então hoje Planetário no Parque do Ibirapuera. Nesse espaço, antes da construção dessa parte do Parque, o Instituto possuía locais para estudos de doenças das plantas e dos animais. Bovinos, suínos, aves etc., eram trazidos pelos criadores para que os pesquisadores do Instituto detectassem as doenças que os acometiam. Onde é hoje a Bienal, ficava o campo de futebol do Biológico Futebol Clube, local em que jogadores de vários times nas décadas de 30 e 40 vinham fazer seus treinamentos. Muitos jogos foram realizados no campo do Biológico Futebol Clube. A arquibancada do clube ficava em um terreno onde foi construída  a Bienal, sendo demolida a cerca de 30 anos atrás. No Governo Jânio da Silva Quadros, todo o terreno que ficava além da atual Av. 23 de Maio, pertencente ao Instituto Biológico foi retirado do IB e cedido para a construção do parque do Ibirapuera para a comemoração do IV Centenário de São Paulo. O prédio que abriga o DETRAN, planejado pelo Arquiteto Oscar Niemayer que passará a abrigar o Museu de Arte Contemporânea – MAC - foi construído para ser a sede da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, mas o então Secretário não quis o local que chegou a ser oferecido para o Diretor do Instituto Biológico, Dr. Paulo da Cunha Nóbrega. Dr. Nóbrega também não aceitou a oferta, pois, naquela época, o que se tinha de edificações era o suficiente. O terreno que fica a seguir do DETRAN foi cedido pelo governador ao Centro Acadêmico 11 de Agosto e supõe-se ainda pertencer a eles. As divisas do terreno do Instituto Biológico ultrapassavam os eucaliptos (essa planta foi introduzida no Brasil pelo pesquisador Navarro de Andrade), desses que margeavam a Av. 23 de Maio, restaram somente alguns exemplares que possuem quase a mesma idade do IB, grande quantidade desses eucaliptos foram retirados no ano de 2003 para obras da prefeitura.  Os eucaliptos foram plantados pelo Entomologista e Jornalista Manoel Lopes de Oliveira, cognominado Manequinho Lopes, funcionário do Instituto Biológico à época. No Parque do Ibirapuera há um viveiro de plantas que recebeu o nome de “Viveiro Manequinho Lopes” por ser ele um excelente divulgador, por meio de jornais, das práticas de plantar e colher. Dos muitos eucaliptos plantados por Manequinho Lopes, alguns ainda se perfilam do DETRAN até o Hospital Dante Pazanezzi.

Ampliando os espaços para a pesquisa
Em 1937 é adquirida a fazenda Mato Dentro em Campinas, SP, a fim de fazer dela um campo experimental e, logo depois, a fazenda dos Cristais para experimentos com porcos no campo de vacinas. Em 1981/82, foi incorporada ao Instituto Biológico uma fazenda experimental em Presidente Prudente para experimentos na área de sanidade em citros e 11 Laboratórios Regionais distribuídos das seguintes formas: Presidente Prudente, Sorocaba, Registro, Pindamonhangaba, Ribeirão Preto, Marília, São José do Rio Preto, Araçatuba, Bauru, Descalvado e Bastos.

O marco cor-de-rosa
O edifício principal, projetado pelo arquiteto Mário Whately, destaca-se pelo estilo art déco, adquirido por meio da concepção artística européia na década de 30. Esse mesmo estilo foi utilizado em outros projetos arquitetônicos importantes na cidade de São Paulo, como a Biblioteca Mário de Andrade, Viaduto do Chá, ambos na região central. De presença marcante no cenário arquitetônico da São Paulo dos anos 30, o Instituto Biológico ressalta-se de forma monumental, permitindo-o a incluí-lo entre os exemplares mais importantes da primeira modernidade na arquitetura paulistana. Em 1939, Dácio A. de Morais Junior assume a obra.

O material utilizado
Para a construção do prédio, o material foi dos mais requintados. Em 1928 a Sociedade Anônima Fabrica Votorantin já era um de nossos parceiros. O mármore "Lioz" – importado de Portugal, reveste as paredes e os pisos dos saguões de todos os andares; a argamassa teve sua receita assim determinada: arenito vermelho, cal, cimento branco "Medusa" e mica. Assim, o prédio sede, biotério central, o prédio do Laboratório de Bioquímica Fitopatológica, o conjunto de prédios dos vários laboratórios da área animal (esses prédios eram cocheiras no passado), a carpintaria e parte da garagem foram cobertas com esse tipo de argamassa; os lavatórios e bacias dos sanitários eram de porcelana esmaltada "Standart" tipo novesia, importadas dos Estados Unidos (foram trocadas em 1978); pisos dos banheiros e do 1º andar (ainda preservado) eram ladrilhos de grés cerâmico, cor cinza de forma hexagonal de fabricação da Companhia Cerâmica Brasileira (os pisos dos banheiros foram trocados em 1978); os caixilhos das janelas, em ferro fundido, foram confeccionados pela Escola de Artes e Ofícios do Estado; os dos corredores e de algumas salas são de Ipê, colocados sobre argamassa mista; o piso nos laboratórios era de linóleo americano, de cor verde escuro, combinando com as paredes que eram do mesmo tom (hoje ainda se vê alguns laboratórios com esse tipo de piso); a balaustrada externa de granito vermelho de Itú, SP; as portas com batentes de Cabriúva, SP; nos corredores, no alto das paredes, tinham-se relógios "Siemens"; os vitrais, em ladrilhos de vidro importados tipo "Nevada", foram trocados em 2002 por estarem, em sua maioria, quebrados (obra feita sob patrocínio da Votorantin); o anfiteatro "Rocha Lima" tem estrutura de peroba; o revestimento do terraço possuía uma camada de isolante térmico de "Spachonit", uma camada de feltro betuminoso, chapas de cobre com juntas dobradas, uma segunda camada de "Mesphalt" e uma 2ª camada de feltro betuminoso, lajes com juntas de asfalto; as calçadas com placas de arenito rosa colocadas com argamassa de cimento cal e areia sobre base de concreto.

O porquê da criação do Instituito Biológico
Desde o início do século 20, o ideal de muitos aristocratas paulistas e dos barões do café era a criação de um órgão que cuidasse da sanidade de uma riqueza então presente no Estado de São Paulo, o café. Vários outros fatores, aliados a esse, eram constantes nas discussões dos intelectuais que viam em São Paulo uma terra fecunda para o estabelecimento da ciência, tal qual era para o Rio de Janeiro o Instituto de Manguinhos. Em maio de 1924 apareceu uma terrível praga nos cafezais paulistas, a chamada broca, Hypothenemus hampei, (Ferrari, 1867) (Coleoptera, Curculionidae, Scolytinae), que perfurava as cerejas e desvalorizava o produto. O então Secretário da Agricultura, Gabriel Ribeiro dos Santos, constituiu uma Comissão para o estudo desta praga visando averiguar os estragos e identificar o parasita. Assim, Arthur Neiva, Ângelo da Costa Lima e Edmundo Navarro, em excelente relatório, apresentaram várias propostas de combate dessa praga. Para a execução dos serviços foi então criada a "Commissão de Estudo e Debellação da Praga Cafeeira" sendo nomeados para compô-la Arthur Neiva, Adalberto Queiros Teles e Edmundo Navarro. Para que essa Comissão tivesse pleno êxito, ela possuía dois laboratórios - química e entomologia - que contavam com Mário Paulo Autuori, José Pinto da Fonseca, Carlos Rodolpho Fisher e Alberto Federmann. Foram tomadas medidas contra a broca, com a parceria fitossanitária, a fim de realizar novas investigações e novos meios de combate à praga. Com o propósito de divulgar o amplo trabalho executado pela Comissão junto à população rural, procurou-se atingir mais de 1.300 fazendas com um total de 50 milhões de cafeeiros. Foram montadas e colocadas para funcionar 5 mil câmaras de expurgo de sacarias fornecendo, portanto, excelente suporte para a concretização do programa proposto. Os resultados obtidos foram assim definidos por K. Escherich "Não conheço outro exemplo de, em tão curto prazo, se haver realizado tanto trabalho científico e prático".
Arthur Neiva encerra os trabalhos da Comissão apresentando amplo relatório das atividades desempenhadas pelo órgão que brilhantemente chefiou. Os resultados dessa grande mobilização científica e técnica não tardaram a aparecer.
O catastrófico aparecimento da broca, que pegou desprevenida a administração pública, e seu rápido controle mediante iniciativas fundadas na pesquisa científica mostraram ao governo paulista a impossibilidade de manter a riqueza agrícola devidamente protegida sem uma organização fitossanitária permanente, lastreada em ativo trabalho de pesquisa e com diferenciação técnica adequada às muitas funções que a defesa da agricultura abrange.

Arthur Neiva, com esse conteúdo de ações, demonstrou junto à Assembléia Legislativa, a importância da criação de um órgão que beneficiasse os agricultores. Em 20 de dezembro de 1926, o então Presidente Carlos de Campos enviava à Câmara dos Deputados o projeto da fundação de um Instituto de Biologia e Defesa Agrícola. Apesar de aprovado em 27 do mesmo mês, o projeto não se converteu em lei. Posteriormente, no governo Júlio Prestes, quando o cargo de Secretário de Agricultura era ocupado por Fernando Costa, foi proposta a criação de órgão ainda mais amplo que, ao lado das pesquisas e medidas de defesa relativas à sanidade vegetal, também, se dedicasse a objetivos semelhantes na área animal.

A comunidade presente no Instituto Biológico
Em 20 de março de 2002, por força da comunidade de Vila Mariana, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) como bem cultural de interesse histórico, arquitetônico e urbanístico, o Conjunto Arquitetônico do Instituto Biológico. O tombamento, cujo processo iniciou em 1995, abrange uma área de 122 mil metros quadrados e envolve onze edifícios - incluindo a sede. O Condephaat incluiu no processo as ruas internas e os 1.500 pés de café que servem para as pesquisas do Instituto. No ano de 2000 foi fundada, no Instituto Biológico, a República de Vila Mariana, tendo como Presidente, Walter Taverna.

Márcia Maria Rebouças
Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento

Museu do Instituto Biológico/Centro de Memória
Atualizado em Janeiro de 2011

 
 
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